OLVIDARME

Ele estava lá. Trancado no quarto, em uma noite de sábado qualquer. A meia luz, deitado, olhando para o tempo, curtindo a insônia do descontentamento. Havia sido esquecido naquele dia, ou talvez ignorado. Por que? Ela era assim, inconstante, e às vezes parecia não querer ter a imagem dele vinculada a dela.

Veio então a mente o vislumbre de alguém distante, que muito distante dali, nutria por ele um encantamento, e que por mais que fosse recíproco e intenso, não tinha esperança de vingar. E ele pensava em outra, que em um lugar comum, o quis por uns dias, e que há muito não ouvia se quer a voz.

O vento que soprava discreto balançava a cortina, e sem emitir o menor som, trazia o cheiro de uma chuva iminente, que se misturava com o odor de mofo daquele ambiente, e assim, deixava o ar cada vez mais triste. Com o peito apertado e garganta seca, ele sentiu falta daquele ombro amigo, que um dia declarou amor, e por não ter sido correspondido, se foi.

Ao lado da cama, a foto de um abraço imortalizado de um amor platônico de infância. Na cabeça confusão, dúvidas e indecisão. Vozes perturbadoras no ouvido traziam a visão daquelas que sorriam para ele atrás de um minuto de atenção. Aparente perfeição de incompatíveis pretendentes. Havia várias, mas naquele instante ele estava só.

E ao som de um bolero, a solidão tinha gosto de rum e chocolate meio amargo.

Ao som de Alejandro Fernandez y Amaia Montero – Me dediqué a perdete

Anúncios

12 comentários sobre “OLVIDARME

  1. ô meu amor, lindo você, já está incluido em minha lista a muito tempo sabes, você e a Linny são as pessoas que + admiro e amo nesse mundinho de blog.

    agora vou ler o post

  2. eu amei o texto, sua descrições me fazem sentir o frio do vento, o cheiro do morfo, o gosto do chocolate amargo.

    ah esses momentos que por + que tenhamos alguém nos sentimos sozinhos, sempre querendo o que está + distante.
    pelo menos o texto é belo.

    um beijo

  3. as vezes me sinto assim meio perdidas nas coisas, com uma vontade enorme de querer fazer mais perdida. sabes como é?

    amei ver a lu dizendo que faço parte da vida dela, eu amo vc…
    passa no meu blog, nao sei se saber mais meu niver é hj e tem um doce beijo la pra vc.

    beijo para as pessoas que eu amo.

    bju – saudade eternas de vc

  4. Puxa… me identifiquei muito com “Ele”… Com a solidão, com a noite, com o quarto, com os pensamentos…
    É tão ruim quando estamos assim. Bom mesmo é ter quem a gente gosta por perto. Mas esse tipo de situação faz parte da vida né?! Que sejamos fortes para enfretá-los! =)

    Lindo texto!
    =*

  5. eu liguei pra vc na sexta (pta tua casa)
    so que vc estava na aula e falei com tua mar que por sinal é mt simpática.

    um doce beijo.
    posso te ligar nessa semana?
    nao consigo ligar pro teu celular, nao sei pq.

    recebi tua mensagem obg, te adoro e nao te esqueço nunca.

    beijos

  6. gostei do texto. as vezes as pessoas estão tão perto mas tão longe, né? ou vice-versa.
    não gosto de solidão. mas ando me sentindo sozinha as vezes… lembra daquilo que conversamos pelo msn? “me faz tão bem e tão mal…”
    bjs.

  7. “coração na mão como um refrão de um bolero e eu fui sincero como não se pode ser…”

    Esse post trouxe imagens a tona como um portifólio conjunto, como um álbum velho e escondido…digo, guardado.

    nostalgia é necessária, falta também. Mas tem uma hora que se sente o perfume, se sente a presença…aí fica desesperador.

    Como diria Oscar Wilde, tiremos proveito: “um coração
    partido transita por muitas edições”

    sopros de luz!
    =***

  8. Adorei o texto e posso dizer que já me senti assim muitas vezes, acho que todo mundo já sentiu essa solidão ao menos uma vez na vida…
    Pena ele não querer a imagem dele vinculada a dela, pena ela ser tão inconstante…pena serrmos todos assim de vez enquando!
    Bjusssssssssss

  9. Momentos assim são importantes…
    Nos levam a um auto-conhecimento absurdo (claro que quando se está disponível a isso, como parece ser o caso d’ele…)
    Xerus
    =***
    Que haja rum, chocolate e bolero suficiente até a solidão partir…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s