ESTOU VOLTANDO PRA CASA…

“Havia naquele povoado uma lenda que dizia que os bons filhos daquela terra estavam destinados a levar o amor para muitos outros lugares. Voariam longe, desfrutariam paixões e sorveriam as dores deste mundo. No ápice da juventude, voltariam para casa prontos para reconhecer dentre os rostos comuns da infância, a pessoa a qual seria a companheira de todas as outras primaveras. Na devida estação, trariam a vida aqueles que um dia iriam trilhar os mesmos caminhos”.

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Era noite do último sábado daquele mês de setembro. Na mais bela igreja daquele lugar, vestidos de gala estavam os velhos amigos reunidos como só se vira antes nos tempos do primário.

Oito violinos, três violoncelos, uma viola, um baixo, um tenor, uma soprano, dois barítonos, duas contraltos e um piano de calda anunciaram a chegada da noiva.

Beatrice adentrou na capela ao som de Somewhere over the rainbow…

Um vestido tomara-que-cai, bem simples, com poucos detalhes. O cabelo com um coque e um pequeno e singelo arranjo. No rosto, uma leve maquiagem, quase imperceptível, um sorriso de criança e olhos a ponto de transbordar tamanha felicidade. Linda, linda…

No meio do salão, um beijo paterno em sua testa e sua mão foi entregue ao homem mais feliz daquela noite. Para desgosto dos místicos, um estrangeiro. Mas naquele instante, até mesmo os que torciam por uma cena de comédia romântica na hora do “se alguém tem alguma coisa contra…”, não queriam ouvir outra coisa se não o “eu vos declaro…”. E ouviram.

Em um dos últimos bancos do lado direito do altar, sozinho, um espectador afrouxava o lenço do pescoço e olhava para os próprios sapatos pretos, onde por alguns segundos viu toda sua vida se passando em um milhão de flashs. De todo coração, no silêncio de um sorriso tímido, desejou felicidades ao casal. Mas definitivamente, a esperança havia chegado ao fim.

“Era só uma lenda”. Pensou, no mesmo instante em que alguém lhe tapou os olhos e perguntou com uma voz familiar: “Adivinhe quem é?” Era sim, Nadine, só que agora de cabelos vermelhos. E naquele abraço ele refez seu pensamento: “Era só uma lenda? Tomara que não”.

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13 comentários sobre “ESTOU VOLTANDO PRA CASA…

  1. Sem dúvidas a cerimônia do casamento e tudo mais é algo mágico pra muitos…Gostaria que o casamento literalmente falando, fosse assim sublime pra sempre!
    Mas como nada dura para sempre, a gente vive a experiência e aprende com ela.

    ABRAÇOS!

  2. Ahh texto bonitinho! E fantasioso tb, rsrsrs. O trecho início parece aqueles livros de fantasia!
    Do ponto de vista cultural o casamento ainda é mais um sonho social do que pessoal para muitos. Eu ainda continuo debantendo o tema internamente. Não creio que o casamento seja uma instituição falida, ele tem os seus problemas, mas ainda persiste como um ideal de amor pra vida toda.
    Vivo em conflito nesse quesito, rsrsrs.
    Bjo moço!

  3. Precisa dizer que eu amei o texto? Acho que não. Tudo o que encontro nesse cantinho me encanta de tal forma que é quase como se eu ficasse enebriada e apaixonada pela pelas palavras…

    adoro tu!

    beijocas!!!

    cheiros, letras e músicas falam por mim…

  4. Oi Jean! Quanto tempo, não? =)
    Nossa, gostei da atmosfera que você criou, me trasportei pra cerimônia e me vi ao lado do rapaz que “no silêncio de um sorriso tímido, desejou felicidades ao casal”..bonito texto.
    Um beijo grande!

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